A lição de Condeúba

Já que ontem 12/03 foi Dia do Bibliotecário, eu tenho uma boa história sobre livros pra contar prá vocês que aconteceu em nossa viagem à Condeúba para cumprir mais uma etapa no trabalho de pesquisa sobre a genealogia Patez.

Naquela tarde, depois de um dia inteiro de trabalho intenso, fomos surpreendidos por um inusitado encontro em plena praça da cidade…

Livros e discos espalhados no chão. Em plena rua. Eu e Saulo ainda pensamos que estariam à venda por módicos preços e nos interessamos em procurar algum livro para comprar se o pouco dinheiro que tínhamos desse para levar algum… Mas, que grata surpresa, estavam ali pra quem quizesse pegar!

Descarte de alguém que após a morte de um parente, resolveu se desfazer da biblioteca do finado… Menos mal, afinal, poderiam ter sido destruídos sem préstimo pra mais ninguém. Dos males o menor, foi válida a atitude de abandoná-los em praça pública. Se a situação era essa, vamos ao garimpo!

A maioria dos títulos eram livros de direito e alguma pouca literatura. Trouxe para mim uma edição de 1963 das Encíclicas Sociais de João XVIII, que apes
ar da falsa aparência, ainda está em muito bom estado. Para meu amigo Lázaro (amante da literatura) trouxe uma edição antiga de A carne, o polêmico livro de Júlio Ribeiro. A alegria e a satisfação do Lázaro em receber aquele livro velho, deve ter feito a alma do finado dono bater palminhas de alivio…

Saulo recolheu alguns volumes, e apareceu o mais interessante dessa cena toda. Chegou um menino de apenas 10 anos de idade, o Robson. Ao tomar conhecimento que eram livros de direito, voltou em casa pra pegar um carrinho de mão, pois, seriam úteis à irmã, estudante do curso na UESC e que trabalha como doméstica pra se manter e tentar viabilizar sua formação.

Agora a alma do finado deve ter ficado mais leve…

A iniciativa do Robson, renovou a minha fé na humanidade. Nossa raça ainda tem jeito!!

Levanta o rancho que com essa a tropa já pode seguir viagem..


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6 comentários sobre “A lição de Condeúba

  1. livros não devem pertencer a ninguém, não são de seus autores, editores e muito menos do comprador de um exemplar. Eles pertencem a quem os lê. ABAIXO A VAIDADE DE TORNAR LIVROS ORNAMENTO DE PRATELEIRA.

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  2. Estou refletindo sobre esta questão….Tenho alguns livros sem saber o fim que os dou, pois mesmo se eu quisesse usá-los como adereços de uma prateleira seria impossível para minha casa pequena. Sei que alguns dar para ser transados por outros num sebo. Já outros exemplares não é de interesse de muita gente. Pensarei com carinho…

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  3. É Marisfoi uma experiência muito interessantepelo menos desta vez muitas pessoas tiveram sorteo que muitos não tiveram com outro acontecido na mesma cidade…em que um advogado de uma família muito tradicional de Condeúba faleceu e seus filhos queimaram toda a sua biblioteca e documentos pessoais e históricos!!!isso é um crime…e pessoas que pratiquem estes atos devem pagar caro!se não quer…porque não doarDoar é um gesto nobre e bonito!!!

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  4. Queria agradecer muito pelo livro q eu recebi -A Carne- brigadão Maris Stela…e para a(ou o??) Igcapitu, sim, eu sou muuuuuuito egoísta e quero ter milhares de prateleiras imensas cheias de livros….kkkk…mas meus livros naum são meros ornamentos de prateleiras….

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