Luiz Alexandrino de Melo: um resgate histórico em Vitória da Conquista – BA

por Maris Stella Schiavo Novaes**


Seguindo a tradição colonial, portuguesa, o centro administrativo e comercial de nossa cidade, foi edificado ao largo da igreja matriz e as atividades urbanas se organizaram ao longo do calendário religioso.



Na antiga Conquista, embora a topografia da Rua Grande fosse em acentuado declive, inicialmente prevaleceu a construção de casas térreas, privilegiando a horizontalidade. Seguindo um padrão arquitetônico português, as condições sócio-econômicas e climáticas determinavam as plantas das casas, construções geminadas erguidas em terrenos estreitos e compridos seguindo o alinhamento da rua.


A frente possuía janelas (que permaneciam a maior parte do tempo fechadas) e quase sempre ao adentrar à casa, existia um pequeno portão interno denominado grade, que servia de interlocução da rua com o interior da moradia. O primeiro cômodo era a sala de recepção, isto, quando não abrigava alguma oficina ou loja. Os cômodos intermediários, acessíveis por corredor lateral, eram as camarinhas ou alcovas (quartos de dormir), geralmente cômodos pequenos e com pouca ventilação, cujo mobiliário na mairoria das vezes se resumia a um baú para guardar roupas, um catre (cama simples) de madeira ou forrado de couro, uma pequena mesa com lavatório (conjunto de jarra e bacia) e um urinol (penico). Nos fundos, a copa ou sala de refeições, a cozinha, despensa, a varanda alpendrada que dava acesso ao quintal, (sempre cheio de árvores, canteiros e criação doméstica), onde havia o quarto de banho e a latrina ( instalação sanitária).


Com o passar dos anos, as relações humanas sofreram alterações em decorrência do crescimento das demandas socioculturais, o centro dos arraiais, vilas e cidades passaram assim a ser essencialmente residenciais aliando-se à uma relativa expansão das formas comerciais. Esse fenômeno acentua a estratificação social e impele a população mais empobrecida para longe dos centros. Paralelamente, surge a necessidade de profissionais mais qualificados na construção de casas. Para dar conta dessa demanda em finais do século XIX chega em Conquista o pedreiro Luiz Alexandrino de Melo.


Segundo o Prof. Mozart Tanajura, Luiz Pedreiro, como ficou conhecido, proveniente de Salvador, entra para a história conquistense quando o mestre de obras de apelido Chabá (de origem desconhecida) abandona a construção do sobrado de Paulino Fernandes de Oliveira. Este casarão foi demolido e em seu lugar foi edificada a sede do Banco do Brasil.

Não se sabe se as plantas residenciais adotadas pelo mestre Luiz Pedreiro, eram desenhadas por ele, ou se cabia a ele apenas edificar seguindo determinações que eram decorrentes da capital Salvador, no entanto, no que restou de construções atribuídas a este mestre de obras, mostra um cuidado com o valor decorativo na construção das fachadas, janelas, sacadas, platibandas e frontispícios com as iniciais do proprietário e a data da construção do imóvel. A partir do casarão de Paulino Fernandes acentua-se na Rua Grande a verticalização proporcionada pela estética dos sobrados.


**Maris Stella Schiavo Novaes é Presidente da Ong Carreiro de Tropa – Catrop, Coordenadora do Núcleo de História, Cultura e Memória da Catrop; Licenciada em História pela Uesb de Vitória da Conquista Bahia; Com pós-graduação em Educação, Cultura e Memória, pelo Museu Pedagógico/Uesb. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s