A SERRA DO PERIPERI PEDE SOCORRO


              Eu sou a Serra do Periperi e peço socorro. Por favor, cuidem de mim. Eu sou a parte mais bela da nossa cidade. De lá eu observo todos que aqui passam nessa cidade, de norte a sul, de leste a oeste.
             Eu estou muito triste, estão me esburacando, retirando o que é de mais precioso de mim, que é a areia. Não estão me respeitando, nem também, o nosso Cristo que lá está de braços abertos para a proteção de todos.
            
             Falam muito em cuidar de mim, mas, eu estou à espera de toda a comunidade e das autoridades.
         
             Não observaram ainda que eu sou uma fonte de riqueza, o precioso Rio Verruga que é uma fonte de água natural, é meu parceiro, é um patrimônio que me pertence. Graças a Deus que ainda estão preservando a mata do Poço Escuro que é patrimônio de todos os conquistenses.
             Estão esquecendo que sou a famosa Serra do Periperi. O que fizeram de mim?   Não suporto tanto descaso, não deixem acabarem comigo.
             Peço às autoridades que não permitam que façam moradia sobre mim, peço respeito e consideração. Ao invés de construir casas, melhor seria que se plantassem árvores naturais para a beleza e preservação da nossa cidade.
Autora: Professora Beatriz Araújo Pedreira
 Vitória da Conquista, 20 de outubro de 2003.
OS RIOS PEDEM SOCORRO
             Eu sou o Rio Verruga, sou um rio de planalto, pois a minha nascente é na Serra do Periperi.
             Há muitos anos atrás, eu era um rio bonito como tantos outros existentes. Mas, em nome da evolução, os homens foram me matando aos poucos. Os homens foram me aterrando, me apertando, me sufocando, mal consigo respirar. Hoje, estou imprensado debaixo desta linda cidade Vitória da Conquista, que todos amam. Eu não mereço isso.
             Tudo isso foi por culpa de um tal bandeirante chamado João Gonçalves, que aqui chegou devastando tudo, matando os habitantes (os índios).
             Hoje o que sou? Um filete de água protegido pela mata do Poço Escuro. Eu sou um rio de valor, afinal, Deus me criou para seguir o meu caminho, mas, não deixaram. Acabaram comigo, construíram casas, prédios, lojas sobre mim. Restou uma água suja, mal cheirosa, que a chamam de Pinicão. Que descaso, mas, mesmo assim, segui a minha trilha por debaixo do solo e lá bem adiante encontrei um lugar onde eu pudesse respirar e seguir o meu caminho. Então, encontrei uma serra muito bonita chamada de Serra do Marçal e eu fui margeando por toda sua encosta, dando de beber aos animais e servindo aos homens na agricultura, nas pastagens para alimentação do seu rebanho.
             Mas não pode se esquecer de uma parte de mim muito importante, a Lagoa das Flores que é uma bacia e poucos sabem que essa área me pertence e que tanto produz hortaliças e no passado foi grande produtora de rosas.
             O que as autoridades fizeram por mim? Nada.
             Espero que toda comunidade e autoridades de mãos dadas cuidem um pouco do que restou de mim. Abram os olhos!
Autora: Professora Beatriz Araújo Pedreira
Vitória da Conquista – BA, 20 de outubro de 2003.

BEATRIZ ARAUJO PEDREIRA
            Professora aposentada foi aluna da 1ª Turma de Estudos Sociais da Faculdade de Formação, hoje UESB e, por motivo de ordem particular deixou o referido curso faltando apenas um semestre para se formar.
            Prestou relevantes serviços na área educacional da cidade de Vitória da Conquista, atuando como docente nas Escolas Estaduais Professor Adelmário Pinheiro, Maria Viana e Abdias de Menezes onde ministrou aulas de História, Geografia e OSPB e como Vice-Diretora na Escola Adélia Teixeira.
            Atuou ainda, no Centro Educacional da cidade de Barra do Choça – BA.
            A professora Beatriz desenvolveu o seu trabalho com muita competência e contribuiu de maneira efetiva na formação de vária gerações.
           por Ebeilde Araújo Pedreira
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3 comentários sobre “A SERRA DO PERIPERI PEDE SOCORRO

  1. Nossa Serra e nosso Rio clamam ainda por respeito!!!
    Muito louvável a iniciativa da professora Beatriz, ainda em 2003, e o que podemos observar hoje é que continua a mesma coisa, muito pouco foi feito, e o Rio que nutriu o crescimento de nossa cidade, hoje está abandonado, passando por debaixo de nossos pés, silencioso, obscuro, transfigurado.
    Por não preservar a sua riqueza mineral é que Conquista hoje não sobrevive sem Barra do Choça, que a abastece.
    Lembro agora da luta de Dr. Crescêncio Silveira pela preservação da Mata do Poço Escuro, ainda na década de 1940, não sendo ouvido pelas autoridades locais que cada vez mais esqueceram de nosso rio.
    É preciso de mais atitudes como a da Prof. Beatriz.
    Parabéns!!!!

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