Manno di Sousa, um Nordestinado por essência

Nascido em Penaforte-CE, criado em Cabrobó-PE e naturalizado baiano por opção, o cantor/compositor Manno di Sousa, é um Nordestinado, por essência. Percussor de uma MPB moderna e ao mesmo tempo enraizada nos gêneros nordestinos, sua música tem uma linguagem rejuvenescida, menos regional, mais neotropical, leve e menos politicamente engajada. Manno se lançou na carreira musical, aos 13 anos, já embalado pelos movimentos das muitas redes nordestinas, guiado pelas imagens guardadas de sua recém abandonada meninice, aos sons extraídos de seu tão estimado violão. Caminharia a partir desses passos iniciais, rumo a esta vida que ainda se desenha em possibilidades, vivenciadas por seus muitos caminhares. Em 1997 aporta sua nave de sonhos em Vitória da Conquista. 

É aqui no Sertão da Ressaca, como o próprio nome sugere fusão entre sertão e mar, que o artista encontra as condições ideais para elaborar seu projeto Nordestinado da Caatinga ao Pop. Nordestinado nasce dos olhares e vivências do homem/artista sobre o Nordeste que o pariu. Terra seca e agreste, que judia dos homens. 

E por outro lado, fértil de mulheres parideiras, que tecem nas almofadas de bilro, os fios que ligam mar e sertão. De um tipo de gente, que nas feiras e esquinas cantam suas agruras em poesias, emboladas, repentes e cocos, ao som de rabecas e flautas de pife. Ou que na beira do mar, constroem suas jangadas, infla suas velas e abraçam o infinito, enquanto nas areias, mulheres e crianças dançam cirandas ou edificam altares à saudade. 

Do lugar onde foi gestado, Manno di Sousa viu crendices, procissões, ladainhas e lamentos de carpideiras guiarem as almas ou conduzirem os viventes no baile entre vida e morte, conduzidos pela fé de uma bonança eterna, após uma resignada vida de misérias. 

O artista acolheu em suas criações todo esse universo, permeado tanto pelos sons de chocalhos e sinos, quanto pelos tambores, agogôs, despachos e velas das várias nações e terreiros, passando pelas solitárias invernadas nos sertões às ruas cheias de turistas estrangeiros e brincantes coloridos dos carnavais e maracatus. 

Nordestinado é também o cheiro da vida contemplada em noites de boêmia ao lado de prostitutas, poetas e andarilhos sobre as pontes, os rios e overdrives do Recife de seus encantos. Da tradicional arte em barro do mestre Vitalino às famosas carrancas de Ana. Do paradoxismo musical do piano de Victor Araújo às cores contemporâneas de Romero Britto. Toda essa reflexão flui em suas composições na forma de melodias, harmonias, ritmos e palavras viajando por estilos internos e externos que se fundem em xotes, rock, fox, trotes, galopes, xaxado, baião, boleros, maracatu, fado, reggae, salsas, merengues, mambos, tangos, frevo, ijexás e canções. 

Nordestinado é seu agradecimento e sua homenagem a este Nordeste onde foi gestado e do qual se alimenta, o nordeste ainda é a sua fonte, esta infecunda fonte de inspiração para artistas de todas as artes e tempos.
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