Cajaíba, o semeador de arte e de sonhos

foto_fernandoQuem passa pela serra do Piripiri em Vitória da Conquista, através da BR 116, deslumbra-se com a bela vista da cidade, mas não se dá conta da riqueza que se encontra lá mesmo, no alto da serra.

Meio escondido pelo carrasco, pelo descaso e abandono por parte do poder público,  vê-se apenas uma cerca de arame farpado que delimita uma posse onde se encontra o “Museu do Cajaíba”, que se apresenta a céu aberto, mas que pouquíssimas pessoas da própria cidade conhecem.

Cajaiba_2Aurino Cajaíba da Silva, nasceu em 25 de novembro de 1917 na cidade de Itaquara. Fez sua primeira escultura aos oito anos de idade. Transferiu-se para Vit. da Conquista em 1956, fugindo da fome e das dificuldades financeiras. Passou a morar em um casebre no alto da serra, onde começou seu trabalho. Porém, suas dificuldades não foram menores.

São várias esculturas feitas de ferro e cimento retratando as mais diversas personalidades da história: D. Pedro I, José Bonifácio, Duque de Caxias, Princesa Isabel, Castro Alves, Rui Barbosa, etc. e outras peças com os mais diversos temas. “Vou deixar a história do Brasil feita de cimento e ferro para as crianças aprenderem” dizia o escultor.

A fome e o poder

A fome e o poder
Na edição de 02 de dezembro de 1967, a revista Manchete publicou uma reportagem em quatro páginas intitulada “ A História Fantástica de Cajaíba” que narra a história de um homem que, apesar da miséria em que vivia ao lado da família, era um genial artista ignorado em sua própria terra.
Em 1977, Cajaíba foi consagrado no curta metragem; “Cajaíba: Lições de Coisas- O Fazendeiro do Ar”. O documentário sobre a vida do escultor foi dirigido por Tuna Espinheira, tendo sido visto na França. Quando viram o filme os franceses disseram ser Cajaíba um verdadeiro fenômeno.

Castro Alves

Castro Alves
Em maio de 1968, o jornal S. Paulo publica uma reportagem de página inteira com o título “Esculpiu a história do Brasil no Sertão, à luz de candeeiro.”
O Mestre Cajaíba faleceu em outubro de 1997, um mês antes de completar 80 anos
Hoje, o filho Edvaldo Cajaíba está fazendo sozinho e sem recursos um trabalho de restauração e preservação das peças que estão sendo destruídas pela ação do tempo, pede ajuda ao poder público para que o museu de grande valor histórico e cultural seja preservado, mas até o momento, lamentavelmente, não obteve êxito.

A desvalorização da arte e da cultura retrata falta de sensibilidade. Onde falta sensibilidade sobra violência.
Tributo ao amor

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