No passo do boi

por Wellington M. Fereira**

E foram chegando tropeiros
Aventureiros e retirantes
Abrindo caminhos na mata
Fazendo cerca, acerco de roça
Erguera, aos poucos, a vila
A casa-sede dos pioneiros
Trouxeram de longe a boiada
Nasceu a cultura do boi
Fizeram estrada no rastro
Às margens limpas do riachão
Cortaram a mata fechada
Para plantar seus capinais


A terra ficou devastada
A firmeza ficou no boi
A chuva não vem na invernada
A seca castiga depois
Do boi se ergueu a cidade
Do boi se fez a canção
No boi se baseia a verdade
Da terra onde o forte é peão
No passo do boi, meu boi
No passo do boi, pisar
Na terra que é firme, andei
Ó gado que é forte, aboiar
Ê bumba-meu-boi, ê hei
Ê bumba-meu-boi, bumbá
Mas a história, nem tudo contou
E o pioneiro não se mostrou
Tropeiro, mascate e vaqueiro
Conta que fazendeiro não pagou
No toque da tropa de carga
Fazendo o café, no batente pesado
Colhendo o leite, cedo no currais
Reunindo, tangendo e 
Apartando o gado
Gente valente, de chão sem fronteiras
Desbravando serras e matagais
Semeando e erguendo seus sonhos
Doces sonhos, frutos que somos nós.


** Wellington M. Fereira- 2º lugar no 1º Festival Universitário da Bahia– UESB -12 a 15 de novembro de 1998- Vitória da Conquista

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