Comércio. Lojas do Passado

por Anibal Lopes Viana**

Tenente Manoel José dos Santos Silva,
pai do comerciante
Maneca Santos
No tempo da Imperial Vila da Vitória o comerciante de mais destaque foi o Tenente Manoel José dos Santos Silva. A sua loja, sortida de tecidos, ferragens, drogas, bebidas (naquele tempo as lojas eram autênticas miscelânias) artigos funerários, munições para armas de caça, etc., era unida à casa de sua residência. Contavam os mais antigos que a loja tinha três portas de frente e era no local, onde foi construída a casa de residência do fazendeiro Jeremias Gusmão (Praça da República).

O segundo grande comerciante de destaque foi o Cel. Pompílio Nunes de Oliveira, sua loja era situada na esquina, da entrada do “Beco do Cel. Pompílio” atual Rua “Zeferino Nunes “. 

A sua residência nesse tempo, era junta à loja, onde é o prédio do “Hotel Livramento”.

As casas comerciais da primeira e segunda décadas do século presente, existentes nesta Cidade, de maior projeção, conforme anúncios publicados pelo jornal “A Conquista” do ano de 1911 eram os seguintes:



– “Loja Florence”, de José Joaquim Florence, situada na Praça 15 de Novembro, antiga “Rua Larga” e “Rua Grande”. Vendia tecidos finos, miudezas, bijouterias, calçados finos, tendo na loja a seção de ferragens. Vendia um machado de aço, importado, por 4$000; foi Florence quem trouxe os primeiros “zonofones” com sortimentos de discos, que se viu em Conquista, para revendê-los.

-“Grande Loja” de Adalgiso Rebouças da Silva.

-“Loja Domingos Pinto”, situada no sobrado do Cel. Paulino, depois na Praça 2 de julho.

-“Loja Viana”, do Cel. Paulino Viana, instalada a antiga “Rua do cemitério”, atual Mons. Olímpio. Era uma grande e sortida loja. Tinha seis portas de frente. Vendia do tecido a cahaça, no retalho na seção de bebidas. Vendia materiais para fogueteiros, remédios, louças, ferragens, cereais, etc.

O sobrado e a loja de  Maneca Santos,
citada por Anibal Viana.
-“Loja Maneca Santos”, de Santos, Fonseca & Cia. A matriz era situada na Praça 15 de Novembro, esquina do Beco da Tesoura e filial à Praça da Piedade (atual 9 de Novembro). Seu ramo de negócio não tinha diferença das outras, porém comprava e vendia gêneros alimentícios por atacado, para exportação.

Entre as casas comerciais do passado, quando um fazendeiro gastava no máximo 250 mil réis, “para aprontar suas filhas para se casarem”, notavam-se com destaque as lojas: “Grande Loja Piloto” do Major Francisco Piloto, “Loja Estrela”, do Cel. Francisco da Silva Costa, a Loja de Manoel Antônio de Brito; “Loja Cursino”, todas localizadas na antiga Praça 15 de Novembro onde existia o “barracão”, demolido quando o Cel. Gugé foi Intendente.

A “Loja Leite” de Manoel Inácio da Silva Leite era situada no antigo Beco de Piloto, que depois foi chamado de Travessa do Comércio, e atualmente, “Alameda Ramiro Santos”. Alameda sem árvores.

Também na Travessa eram localizadas as lojas de Cesário Pinheiro de Matos (Cesarinho) e loja de Rodrigo Santos. De 1917 a 1923 a mais notável  casa comercial era a “Loja Florence” que passou para os senhores Manoel Fernandes dos Santos Silva (Maneca Santos) Dr. Jesulindo Oliveira e Cel. João Pereira da Silva, que fundaram a firma Santos, Olveira & Silva.

Esta casa comercial marcou época pelo seu grande sortimento de tecidos finos, como sedas, brins importados, artigos de luxo para presentes, relógios, jóias, perfumarias, enxovais para noivas, calçados finos, chapéus etc. Suas instalações com vitrines corrediças foi a primeira. Era loja “chic”, preferida pela alta classe social.

A “Casa Florence” foi a primeira da história do comércio conquistense a adotar um guarda-livros, para a sua escrita. Tinha o nome de Matutino Coimbra, o primeiro guarda-livros que surgiu em Conquista.

A atual Alameda Lima Guerra, antes ser
conhecida como “Beco da Tesoura”, também
foi “Beco de Seu Costa”, em
referência ao comerciante
Francisco Costa.
Naquela época, por intermédio dos caixeiros viajantes, os comerciantes locais faziam as compras nas grandes firmas grossisitas da bahia, com o prazo de seis meses. Não havia o sistema de duplicatas. O documento era apenas a assinatura na cópia do pedido.

As firmas comerciais de Conquista eram sólidas, não se registrando casos de insolvência. Depois foi tudo mudando com o progresso.

Os comerciantes vendiam também a prazo de 120 dias. O débito do comprador era anotado no livro de notas. Os fregueses, na maioria, fazendeiros residentes na zona rural, pagavam em dia suas contas cujo documento de débito era o seu valor moral, a sua honestidade e a sua palavra.





**Anibal Lopes Viana- Revista Histórica de ConquistaVitória da Conquista: Brasil Artes Gráficas, v 2, p. 539-540, 1982.


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4 comentários sobre “Comércio. Lojas do Passado

  1. Corrigindo comentário anterior.

    Parabéns por estarem entre os 3 finalistas do Top Blog 2010 Categoria Cultura – Blog Corporativo.
    Nós da Babel das Artes fomos Top 1 em 2009!
    Abraços e sucesso pra vocês!
    Francisco e Sandra, João Pessoa, PB

    Curtir

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