A moda que revela as mudanças sociais

por Ebeilde Goulart**


O Núcleo Pedagógico da ONG CARREIRO DE TROPA-CATROP sugere a leitura do texto abaixo relacionado, porque compreende a importância do tema abordado e concorda com a metodologia usada pela professora Ana Luiza que soube interagir com os seus alunos no sentido de propiciar a produção das peças da indumentária estudada, caracterizando assim o aprender fazendo.

Educação Infantil

4 a 6 anosPrática pedagógica

Roupas do passado e do presente servem como um espelho da sociedade e ajudam os pequenos a compreender transformações históricas. Ajude-os a questionar as permanências e as mudanças no modo de vestir através dos tempos.

por: Bianca Bibiano (bianca.bibiano@abril.com.br)

Século 15 Entre a Idade Média e a Moderna,
os burgueses passam a copiar o estilo de
vestir dos nobres. Estes, por sua vez, criam
novas peças. Assim, nasce a moda

Longe de ser frívola, a moda se constitui numa referência da multiplicidade de formas na qual se exprime a criatividade humana. “Ela não é somente a roupa, mas tudo o que caracteriza o gosto específico de um grupo, passando por seu modo de vestir”, explica João Braga, especialista na área e professor da Faculdade Santa Marcelina (Fasm) e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Uma análise detalhada do tema traz à tona questões que permitem enriquecer o repertório das crianças sobre a evolução e os costumes dos grupos sociais. A história da vestimenta se enquadra no eixo natureza e sociedade por guardar relação com o comportamento através dos tempos e a produção cultural da humanidade – a organização do mundo, seu modo de ser e de viver.  

Século 18 Na Revolução Industrial, as roupas
passam a ser fabricadas em larga escala. O
algodão é a matéria-prima mais usada
para trajes de ambos os sexos.

Roupas e acessórios refletem mudanças de comportamento. As gravatas, por exemplo, apontam para a formalidade. Entraram para o vestuário masculino no século 17 e protegiam o pescoço da nobreza. Já a minissaia, tão comum hoje, mas impensável até a década de 1960, mostra uma revolução no universo feminino. Numa época em que as mulheres começavam a trabalhar fora, elas foram criadas para facilitar o andar. 

A moda tem suas origens no início da Idade Moderna, com a ascensão da burguesia. Não que antes as pessoas não se importassem com o que vestiam. Pelo contrário. No Egito e na Grécia, as roupas já eram pensadas para valorizar o corpo e para embelezar. Entretanto, é só no fim da Idade Média que os burgueses passam a copiar o estilo de vestir dos nobres. “E eles, por sua vez, passam a ornamentar novas peças com o objetivo de garantir uma valorizada exclusividade. É aí que começa um ciclo eterno de moda”, conta Braga. A expressão “obsolescência programada”, usada por profissionais da área, descreve bem o que a moda se tornou a partir desse período. “O que está em voga hoje será passado no próximo mês ou até na próxima semana”, diz.

Observar Permanências e Mudanças para compreender o uso das roupas –

Tudo o que colocamos sobre nosso corpo recebe o nome de indumentária. Sob esse título, estão vestimentas, chapéus, sapatos, maquiagens, piercings, tatuagens… “A moda é uma fração desse todo, caracterizada por aspectos que chamaram a atenção das pessoas em um determinado período”, aponta o especialista.

 E, cedo ou tarde, ela passa. O seu modo de vestir provavelmente se distingue do de seus pais quando eles tinham sua idade. Você pode dizer: “ Ah, mas aqueles eram outros tempos”. E eram mesmo. “A ideologia, a música e a arte acabam por se refletir nas roupas. Mesmo quando se faz um resgate do trejeito de ser de uma geração, não se pode copiá-lo fielmente porque os elementos que o influenciaram ficaram para trás”, afirma. O assunto deve ser abordado em sala de meninos e meninas. “O caráter de pesquisa envolvido em uma atividade desse tipo vai além do gênero, pois saber dos comportamentos de outros tempos enriquece o repertório de todos” afirma a escritora Kátia Canton, autora do Livro Moda: Uma História para Crianças.

Quando começou uma sequência de atividades envolvendo a história do vestuário, a professora Ana Luiza Pavianni, do SESC de Carazinho, a 292 quilômetros de Porto Alegre, teve receio de a turma não se interessar  pelo assunto. “ Falar em moda com crianças pequenas é um desafio. Mas fui aguçando a curiosidade delas com consultas a livros e fotos dos anos 1970, que os próprios pais enviaram”, explica a professora. Com a pesquisa em mãos, o grupo de Ana Luiza passou a produzir suas peças, feitas com papel e retalhos, entre outros materiais. “ Incorporar os elementos estudados na própria produção era uma das propostas. Assim, foi possível observar os questionamentos que elas faziam sobre as permanências e as mudanças no modo de vestir, o que eles notavam nos trajas de hoje e nos do passado.” Nesse universo, além das roupas usadas no dia a dia, há também as peças folclóricas, que podem ser estudadas como o modo de caracterizar um povo ou um grupo social. Resgatá-las em uma pesquisa ajuda a conhecer a História e os costumes da sociedade.


A História da Moda
Guerras, conflitos, revoluções e comportamentos influenciaram o jeito de vestir.

Século XV
Entre a Idade Média e a Moderna, os burgueses passam a copiar o estilo de vestir dos nobres. Estes, por sua vez, criam novas peças. Assim, nasce a moda.

Século XVIII
Na Revolução Industrial, as roupas passam a ser fabricadas em larga escala. O algodão é a matéria-prima mais usada para trajes de ambos os sexos.

Anos 1920
Como herança da Primeira Guerra Mundial, os homens usam casacos utilitários. A mulher começa a trabalhar fora, o que exige vestidos soltos.

Anos 1960
No auge da revolução sexual, a calça ganha a preferência da mulher e a barreira entre o masculino e o feminino começa a se romper.

Bibliografia

KLISYS, Adriana.Ciência, Arte e Jogo: Projetos e Atividades Lúdicas na Educação Infantil. Ed. Peiropólis.

CANTON, Kátia. Moda: Uma História para Crianças. Ed. Cosac Naify.

Fonte: Revista Nova Escola nº 240 páginas 55 a 57, Março 2011

fonte:  Nova Escola


**Ebeilde Goulart- Pedagoga, com Pós-graduação em Educação, Cultura e Memória e Coordenadora Pedagógica da Catrop

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