O tropeirismo e o seu longo trajeto na História do Brasil

por Maris Stella Schiavo Novaes**

 

A entrada das tropas de animais em Vitória da Conquista era aguardada
com ansiedade. A longa fila de burros estacionados pelos
tropeiros constituía um espetáculo à parte. Manoel Pascoal
Orrico orgulhava-se de possuir os mais belos da região.

(foto dos anos 20 do século passado)

 

A palavra “Tropeiro” deriva de tropa, numa referência ao conjunto de homens que transportavam gado e mercadoria a partir do período identificado na História como Brasil Colônia. Nos seus primeiros tempos, os percursos podiam durar várias semanas e envolver desde o Sul e Sudeste do Brasil até o Uruguai, Paraguai e a Argentina. Desta atividade surgiu o termo tropeirismo.

Durante muito tempo na historiografia brasileira, o tropeirismo enquanto conceito foi utilizado apenas para designar o transporte de gado da Região Sul até os mercados de Minas Gerais, posteriormente São Paulo e Rio de Janeiro. 

Crédito: Ita Arte
Porém, com expansão dos estudos referentes a esta temática, também em relação ao nordeste brasileiro, existem autores que identificam a atividade durante o chamado “Ciclo do Açúcar”  entre os séculos XVI e XVII, quando várias regiões do interior nordestino se dedicaram a criação de animais para a comercialização com os senhores do engenho.

Desta forma, utilizavam-se tropas para escoar a produção das casas de engenho. Sendo, portanto, o tropeirismo também presente no nordeste. O que favorece a compreensão de novas possibilidades de análise.

A partir do século 18, pequenos povoados começaram a surgir ao longo do trajeto das tropas, principalmente, em torno das rancharias, locais onde os tropeiros paravam para trocar mercadorias e onde o gado podia pastar.

O comércio nesses povoados desenvolvia-se naturalmente para atender as tropas, ao mesmo tempo em que os tropeiros levavam e traziam mercadorias para esses povoados. O tropeirismo prestou, assim, importante contribuição ao desenvolvimento das regiões por onde passavam e foi responsável pela integração econômica e cultural entre muitas regiões longínquas do Brasil desde o período colonial.


Tropeiros eram condutores, ou donos de tropas de gado ou mulas que atravessavam extensas áreas transportando gado e outras mercadorias. Contudo, com o passar dos tempos, nas divisões sociais decorrente dos processos de produção, condutores de gado passaram a ser identificados apenas como boiadeiros. 

Como fenômeno social, o tropeirismo existiu como atividade de produção no Brasil desde o século 17 até início do século 20, cobrindo o transporte e a distribuição de mercadorias em localidades onde não haviam estradas transitáveis por automóveis.

**Maris Stella Schiavo Novaes é Presidente da Ong Carreiro de Tropa – Catrop, Coordenadora do Núcleo de História, Cultura e Memória da Catrop; Membro da Rede do Labtece/UESB, Colunista do site: http://www.acontecebahia.com.br/; Secretaria da Mulher do Partido Socialista Brasileiro – PSBLicenciada em História pela Uesb de Vitória da Conquista Bahia; Com pós-graduação em Educação, Cultura e Memória, pelo Museu Pedagógico/Uesb. 

   
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