Enigma Entre Os Anos De 1925 á 1927, Na Praça Do Lindóia/Barão Do Rio Branco, VDC.

 por Carlito Lisboa**

Muitas Histórias e contos, mitos e fábulas, fizeram parte do imaginário dos moradores da grande Região Sudoeste, e sobre tudo em Vitoria da Conquista, Bahia, aonde muitos contos foram se passando de pais para filhos, de modo que quando ainda criança, ouviam também varias estórias de personagens fantásticos e mirabolantes que de alguma forma enchia as nossas imaginações nas noites frias e longas durante o inverno em que muita das vezes aparecia com garoas e neblinas finas e geladas que ficavam por semanas afio.

Há muitas décadas passadas era comum ouvir todo tipo de estórias dos nossos parentes, amigos e também de velhos ex-caçadores, pescadores, já que era comum existir tais pessoas que para se alimentarem faziam uso de adentrarem nos matos e matas para caçar e pescar os seus próprios alimentos e nessas idas e vindas surgiam diversos contos de onças, jacarés, bichos desconhecidos e até mesmo, bicho homem, como os causos que se “contava e que se contaram” durantes vários anos do bicho de pedra azul, que segundo diziam.

Foi um rapaz violento que matou, (assassinou a mãe e após tal fato o mesmo veio a enlouquecer e virar um bicho que saia sem destino, a caminhar perambulando pelas as estradas em cidades do norte de Minas Gerais e Conquista, como uma forma de punição pelo o triste e desastroso fato supostamente ocorrido na Cidade de Pedra Azul: MG.)…

Ouvíamos também sobre: Lobisomem, (alguns diziam: Quando nasciam seis filhas mulheres de forma sucessivas, e no nascimento do sétimo filho de um mesmo casal, caso o sétimo nascimento fosse homem, este viraria um lobisomem no período de lua cheia), ouvíamos também sobre: Mula-sem-cabeça, Bichos de Sete Cabeças, Bicho Papão, Caipora, Pai da Mata, Preto Velho, Bruxas malvadas…

Ouvíamos também vários tipos de versões de diversos massacres que aconteceram, “segundo Histórias contadas”, há muito tempos atrás na fazenda Tamanduá na Zona Rural de Conquista e o levante no Arraial de Canudos no interior do nosso Estado da Bahia por volta de 1896 a 1897, contra o Exército Brasileiro, sobre o comando de Antonio Conselheiro e seus seguidores. Como também ouvíamos dos mais antigos; velhas Histórias sobre o famoso grupo de Cangaceiros chefiados por Lampião e Maria Bonita, Corisco e Dadá, e outros grupos que saiam viajando de Cidade em Cidade e até de Estados em Estados do Nordeste, aterrorizando os moradores.     

Contavam-se também que antes do asfaltamento da Estrada usada pelos antigos tropeiros no sentido: Conquista/Salvador e Conquista/Minas Gerais, a Rio/Bahia, “que hoje veio se tornar o principal corredor rodoviário de Conquista e Região”, que alguns ouviram dos mais antigos que iria aparecer uma cobra gigante de cor preta, e que engoliria muitas pessoas, ou seja, de modo que depois da inauguração e posteriormente do uso constante e continuo da famosa BR/116 ou“Rio/Bahia, como é conhecida até os dias de hoje”, muitas pessoas vieram a acreditar e entender que os mais antigos estavam falando dos inúmeros acidentes com vitimas fatais que aconteceriam diariamente na referida Estrada Federal.

Porem até hoje a (História verídica), mas interessante de todas que já mim contaram, e que mais me emocionou, “e que de alguma forma vivi e ainda vivo”: foi, e é a História também mais enigmática que ouvi: De uma menina negra que fora encontrada na antiga Praça do Lindóia em frente ao Hotel Conquista, (famoso naquela época), “hoje: Praça Barão do rio Branco em VDC”, segundo a própria relatou para sua filha muito tempo depois e já estando casada e mãe de cinco filhos e muitos netos.

Lanchonete Lindóia
Que ela tinha sido deixada doente com algum tipo de doença infantil da época e com pouquíssimas peças de roupas, por uma pessoa adulta que ela não sabia quem era a tal pessoa, em frente ao famoso Hotel Conquista na antiga Praça do Lindóia, (atual Praça Barão do Rio Branco), de modo que ela foi acolhida por uma família tradicional e de grande prestigio na Cidade e em todo o estado da Bahia.

A dona da casa cuidou dela com amor e dedicação como se ela fosse uma filha do casal e mesmo sem saber ao certo quem era os seus pais e o porque que aquela menina negra de frágil aparência fôra abandonada e deixada em frente ao referido Hotel, e entregue à sua própria sorte, de modo que ela foi prontamente colocada dentro da linda e pomposa casa; numa clara demonstração de amor ao próximo e generosidade daquela importante família. Não se sabiam há quantas horas a pequena menina estava ali sozinha esperando algum tipo de ajuda, certamente com fome e sentindo muito frio,“já que naquele local também passava um córrego”, e era uma época em que o frio era bem mais intenso e duradouro, provavelmente aquela singela garotinha deveria está sentindo também um medo do porvir na sua vida e no seu futuro incerto e desafiador.

E com o passar do tempo aquela frágil menina foi crescendo e os seus tutores acharam na obrigação de registrar a mesma no cartório local para que ela pudesse ter uma certidão de nascimento e conseqüentemente os seus Direitos Civis assegurados pela Constituição federal, por ser uma Cidadã Brasileira, e foi no ano de 1931 que o Coronel famoso em VDC e na Bahia. Patriarca da família que a tinha acolhida, foi o Declarante do Documento conforme consta na certidão de nascimento da: Jovelina da Conceição Silva,  este é o nome dessa fantástica personagem: Menina, mulher, mãe, avó, bisavó, amiga, conselheira, babá, cozinheira… (que inclusive não se sabe se foram os pais biológicos que colocaram esse nome nela ou se estava escrito no pedacinho do velho papel amassado que estava junto à ela quando encontrada, ou se foi o nome escolhido pela família do Declarante). Este é mais um mistério dos muitos que cercam a existência de, “Dona Jove”, como também era conhecida pelos familiares e amigos.

Que permanecerá nessa instigante e interessante, História: Enigmática, fantástica e de superação. Como ele não sabia ao certo o dia, o mês e o ano, “já que quando a mesma fôra encontrada não tinha nenhum documento ou informação nesse sentido”, só o nome da suposta mãe e prováveis avós maternos da menina num pedacinho de papel velho e amassado que supunha dizer: mãe, Leoveginda Silva… E mais nada.

Que ficou sendo o nome da mãe, (mesmo sem a menina não ter nenhum tipo de memória da sua mãe biológica, como também do seu pai e avós maternos e paternos, e da pessoa que deixou – à sozinha no local que a boa família à encontrara). O Declarante do referido Documento estipulou mais ou menos uma data provável de nascimento da frágil menina, ficando o ano de 1919.

Como a mesma foi encontrada entre os anos de 1925 á 1927 baseando dessa forma, pelo o porte físico da mesma á idade aproximada, de modo que informações como avós paternos não constam no Registro, tendo, porém os avós maternos que a filha que conta esta História não ficou conhecendo nenhum parente direto ou indireto da sua mãe.

Sendo o Declarante, também um dos seus orientadores na casa aonde aquela menina aprendeu a se tornar uma excelente cozinheira e babá dos filhos menores desta nobre família que apropósito a mesma era bastante requisitada entre todos, nos círculos familiares o qual ela se encontrava, fazendo trabalhos de cozinheira e de babá. Até em fazendas na Zona Rural de propriedade do Declarante e dos demais membros da família tradicional.   

Já que foi na cozinha um dos locais dos seus trabalhos durante grande parte da sua vida entre as donas de casa daquela época singular. Em que as moças eram orientadas a realizarem trabalhos domésticos, seja na cozinha, na costura, crochês e tricôs…

Chega o ano de 1950, e agora a destemida moça vem á se casar com um abridor de rodagens, (Como eram conhecidos os homens que trabalhavam com máquinas que abriam estradas na nossa Região), de profissão mecânico, Sr. Jucelino Lima, e com o passar dos tempos e já sendo mãe de uma prole de cinco filhos com o mesmo marido.

Sendo; Três homens e duas mulheres e destes vieram netos e bisnetos para felicidade daquela que fora uma menina sem infância, sem os pais, avos, tios e tias, primas e primos ao seu lado durante o seu crescimento que fora basicamente e sobre tudo nos trabalhos que a mesma executava com muita determinação e vontade, sendo grata a cima de tudo a Deus pela permissão de ter uma vida, e também a família acolhedora que a criou ensinando à realidade da vida, orientando a mesma aos direcionamentos de uma vida, religiosa e correta frente a uma sociedade hipócrita e desumana, igualmente nas realizações dos trabalhos domésticos com amor e dedicação. (como também ensinando e aconselhando a D. Jove, superar a morte do seu primeiro filho ainda bebê, e a separação do seu casamento tendo “a Boa e Nobre família” recebido de volta ao lar agora com os seus quatro filhos pequenos, e mais adiante a morte do seu primeiro neto com apenas 6 anos idade, “filho da sua filha mais velha que apropósito é a contadora desta linda história de Mistérios e emoções”.

Neto este que ela fazia  questão de está sempre com ele, carregando-o nos dias de sua folga para apresentar a todos os familiares e amigos, ela o amava muito. De modo que a mesma chorou copiosamente a morte do seu amado netinho, e foi terrivelmente doloroso para D. Jove superar por completo tais infortúnios segundo conta a sua filha que até hoje lembra do seu pequeno filho e fala sobre este neto querido da sua mãe como se a fatalidade acabasse de acontecer. Graças a Deus, a querida e amada Vovó venceu todas as etapas de dificuldades.

Dedico esta singela Crônica a memória, (1919-1995), dessa Fantástica e Notável mulher que soube superar no decorrer da sua longa vida uma grande tristeza e desilusão de um possível trauma infantil que atos como este sofrido por ela costumam marcar profundamente a personalidade de um ser em formação como foi o caso“enigmático vivido por aquela pobre menina negra”. E que já na sua velhice a mesma foi carinhosamente tratada de “vovó”, (Este autor tem a honra de está casado com uma neta desta Vovó Especial, inclusive, hoje 28 de Dezembro de 2011, completando 20 anos de casamento, dando a mesma, 2 bisnetos, 1 bisneta e 1 tetraneto).

Pelos seus queridos netos e netas e bisnetos, que ela segurou nos seus braços e no seu doce colo, (como fazia ainda menina na casa daqueles que fôra a sua única família), com muito amor. Também dedico às milhares e milhões de crianças do mundo inteiro que são acolhidas por famílias que realmente tem um amor verdadeiro e adotam os pequenos órfãos passando a amá-los como filhos e filhas. Estes que realmente merecem atos de amor e ações positivas. Como sendo um presente de Deus para as vidas de ambos, “famílias e crianças”, outrora abandonadas e injustiçadas por atitudes e ações irresponsáveis deixando as mesmas entregues as suas próprias sortes.
**Carlito S. Lisboa. Vitoria da Conquista, BA. 27 de Dezembro de 2011.
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