Comércio primitivo- Caixeiros viajantes

O caixeiro viajante Leandro Aragão e sua tropa
Fonte: Revista Histórica de Conquista
“Existiam, na Imperial Vila da Conquista, certamente, algumas “vendas”, como as que hoje se notam na periferia da cidade, ou à beira dos caminhos. Faziam negócios com lavradores e tropeiros, às vezes com viajantes. Também supriam aos moradores da vila de alguns gêneros alimentícios, de sal, café, carne seca e produtos extraídos do leite, como requeijão e o queijo. Mas tudo era praticado de forma rudimentar, sem estabelecidos apropriados. Serviam-se os negociantes de suas próprias residências, tendo na parte da frente a “venda” ou a “loja”, com muitas portas como ainda se vê em várias cidades do interior e na própria zona urbana de Conquista. Este costume permaneceu por muito tempo, mesmo depois quando a vila se tornou cidade.


Em 1888, Durval Vieira de Aguiar descreveu os fatore econômicos da Imperial Vila da Vitória e assim se expressou em relação às suas atividades comerciais: “O comércio é pequeno e também o mercado da feira; e conquanto figure no movimento comercial a compra e venda café, fumo e açúcar, farinha, etc., tudo, isso não tem desenvolvimento pela falta de meios de exportação; pois que esta se limita a couros secos com que carregam as tropas que descem para buscar sortimento, e ao gado vacum cavalar e muar, não só do município como dos termos vizinhos, e dos de São Paulo e Minas que fazem escala pela vila…” (Durval Vieira de Aguiar. Obra citada, p.198)

Até 1926 o comércio, propriamente dito, não tinha expressão econômica, com relação aos bens importados. As poucas mercadorias compradas pelos comerciantes em Salvador chegavam a Nazaré, Cachoeira, no Recôncavo e depois a Jequié  foi aberta a estrada de rodagem de Conquista a Jequié pela estrada de ferro e, destes locais, eram transportadas pelas tropas até Conquista. 

As tropas enfileiravam-se no meio da Rua Grande, vistosas e bonitas. Era uma festa a sua chegada à cidade, ainda pequena e humilde. Anunciavam-na os cincerros de diversos tons pregados nas cabeçadas reluzentes dos muares, como hoje a buzina dos caminhões.

Quando em 1926 foi aberta a estrada de rodagem de Conquista a Jequié, devido aos esforços de uma sociedade local, as mercadorias passaram a chegar à cidade na carroceria de caminhão, que, durante muito tempo, também representou o único meio de transporte motorizado do povo.

Surgiram nessa época os primeiros e grandes negociantes da localidade, muitos estabelecidos ainda quando da elevação da vila à cidade: Manoel José dos Santos, Cel. Pompílio Nunes de Oliveira, José Joaquim Florence, proprietário da “Loja Florence”, onde se vendiam tecidos finos ao lado de jóias, calçados, discos de “zonofones”, para o gosto musical da época. Havia, ainda, as lojas de Domingos Pinto. “Loja Viana”, do Cel. paulino Viana, “Loja Piloto”, do major Francisco Piloto, “Loja Estrela”, do Cel Francisco silva Costa e a “Loja Leite”, de Manoel Inácio da Silva Leite. (Confira: Anibal Lopes Viana, obra citada, p. 540)

Todas estas lojas reunidas formavam um comércio já bem desenvolvido e com expressão regional, procurado pelos caixeiros viajantes, que tinha suas freguesias certas, muitas firmas representadas na Capital do Estado.

Estes caixeiros viajantes eram pessoas “falantes”, instruídas e educadas no trato com os negociantes sertanejos. Passavam dias e até meses fora do lar, sofrendo os ricores das secas ou dos invernos pelas estradas quase intransitáveis. A maioria fazia também o papel de correio, trazendo e levando correspondência para as diversas partes onde transitavam. Alguns, os mais instruídos, se dedicavam ao comércio de livros, introduzindo, no sertão, o gosto pela leitura de romances de capa e espada, tipo Carlo Magno e os Doze Pares de França, Saint Clair das Ilhas, O Máscara de ferro ou os sentimentais Regina e Graziela. Estes dois últimos eram lidos com avidez pelas moças casadoras, que sonhavam com príncipe encantados na solidão das vilas. Muitas destas sonhadoras terminavam encontrando nos próprios caixeiros viajantes, como mencionamos, os maridos que sonhavam.

Os caixeiros viajantes, não há dúvida, representaram uma ponte de civilização entre a capital e o interior. seu papel civilizatório é compatível ao do padre e ao do professor que também exerceram a mesma influência sobre as populações sertanejas. “

TANAJURA, Mozart. História de Conquista -crônica de uma cidade. Vitória da
Conquista: Brasil Artes Gráficas, 1992, p. 93 e 94



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