26 de Outubro – Dia Nacional do Tropeiro

Instituído pelo Projeto de Lei
2.948/2004, o
Dia Nacional do Tropeiro, celebrado em 26 de outubro, tem por
objetivo fazer um resgate histórico do tropeirismo, dando visibilidade ao
fenômeno social, cultural e econômico tão importante na história do Brasil.
Além de seu importante papel na economia, o tropeiro teve relevante importância
cultural como veiculador de ideias e notícias entre arraiais, vilas e
comunidades distantes entre si, numa época em que não existiam estradas no
Brasil.

Tropeiro Zé Mosquito recebendo o titulo
pelas mãos da Profa. Dra. Heleusa Câmara 
O tropeiro-condutor
vivia na condução de tropas de burros e jumentos que transportavam mercadorias
de um lugar para outro e o tropeiro-proprietário, dono de tropas, geralmente
ficava em seus comércios ou nas fazendas, zelando pelos negócios e bom
andamento das atividades. Elo entre o rural e o urbano, o tropeiro foi vetor de
profícuas relações sociais que potencializaram as redes de trocas e
compartilhamentos.

Fenômeno que do passado se estende ao presente,
o tropeirismo em Vitória da Conquista se atualiza constantemente nos trânsitos
e deslocamentos promovidos pelas memórias compartilhadas no seio das famílias e
nas ruas, entre amigos e parentes, imagens ressignificadas e saberes
incorporados que permitem identificação com o tropeirismo para além das amarras
de uma história fragmentária e excludente que durante muito tempo imperou nos
discursos historiográficos oficiais. No cotidiano, os saberes da tradição
tropeira estão presentes na alimentação, linguagem, brincadeiras, danças,
rezas, músicas, artes plásticas, entre outras manifestações
artístico-culturais.

         Para Cícero José, antigo tropeiro das rotas entre
Minas Gerais e Bahia, independente da idade, “Cê tropeiro era enfrentar
penalidades”. Os pagamentos que recebiam eram baixos e nada
representavam diante das responsabilidades que assumiam na condução de uma
tropa de dez ou vinte burros, carregada de mercadorias preciosas. Sendo ele, o
tropeiro, o único responsável pelos burros, pelas mercadorias e pelo prazo
de entrega. Dormia ao relento ou num rancho simples de enchimento de
barro, próximo ao fogo que lhes protegia do frio, das cobras ou do ataque de
outros animais. Sua alimentação era quase sempre, arroz, uma gorda feijoada,
“passoca” ou farofa de carne seca.
Plenário da Câmara Municipal durante entrega do
Titulo de Intelectual da Tradição

Essencial para a cultura brasileira, o tropeiro recebeu
do Congresso Nacional a honraria de uma data comemorativa, que hoje, é
celebrada aqui em Vitória da Conquista.

Remanescente de um tempo histórico importante na
formação de nossa cidade, o tropeirismo é revisitado pela Catrop sob a
perspectiva da rememoração, analisando a natureza das relações sócio-culturais
evocadas pelas narrativas compartilhadas da experiência de vida de antigos
tropeiros e familiares. Esses relatos iluminam um mundo silenciado na
historiografia local e fornecem o esteio para compreensão do jeito de viver e
ser do conquistense.
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