Entre aspas

“Os relatos de viagem do Oitocentos são pródigos em descrições da forma de se viajar e dos estabelecimentos de estrada de Minas Gerais. As tropas foram objeto de incontáveis observações, desde a composição social dos tropeiros aos mais comezinhos aspectos da rotina diária. […] o rancho, que representa o traveller’s bungalow, mas ao qual faltam o catre, a cadeira e a mesa. Essencialmente, é um telheiro comprido, tendo, às vezes, na frente, uma varanda de postes de madeira ou colunas de tijolo, e, outras vezes, com paredes externas e mesmo com compartimentos internos, formados de taipa, isto é, armações de madeira cheias de barro. 

Ali, os tropeiros descarregam os animais, que são soltos no pasto, enquanto seus donos acendem uma fogueira, penduram um caldeirão, à moda cigana, em um tripé de paus, estendem no chão, para servir de cama, os couros que servem para proteger as cargas, e fazem uma espécie de biombo com as selas, cangalhas e jacás. Um poeta brasileiro descreve o rancho: ‘E por grupos apinhados, em seu centro estão arreios, sacos, couros e bruacas’ (Bacharel Teixeira). Só mesmo um tropeiro conseguiria dormir em tais lugares: formigam, por toda parte, terríveis insetos parasitos que penetram na carne e fazem seu lar entre as unhas das pessoas” (Burton, 1976: 100/101).”

BURTON, Richard Francis. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976. 

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