“Eu sei que sou uma pessoa de otras epa. Mais, ainda sim, sou uma pessoa. Eu sou!” Mané Rico

“Através de suas atitudes rústicas, o depoente Mané Rico, se expressa ao mesmo tempo com a simplicidade, a resignação, a astúcia e a altivez típica do povo dos sertões. Trata-se, de um homem de idade avançada, mas, cujos trajes, hábitos, discursos e práticas revelam sua condição de ser humano profundamente sábio e cônscio de seu lugar no mundo e na história. O chapéu de couro, o facão enlaçado ao corpo e o jeito de quem está sempre alerta para o trabalho reforçam sua condição social de sertanejo.

Sua postura é arcaica, paternal e conservadora. Suas falas, também carregadas de arcaísmos e enunciações próprias, refletem uma metodologia própria carreada pelo controle no compartilhamento de seu conhecimento. Análogo mais uma vez à Guimarães Rosa: “Eu era assim. Hoje em dia, nem sei se sou assim mais” (1994, p. 259), despretensiosamente, Mané Rico identifica seu espaço intelectual: “Pruquê agora eu já passei da épa. Eu já passei!” Trata-se do mesmo universo, um retratado pela sensibilidade de Rosa e outro vivenciado pelo velho tropeiro. Semelhantemente, ambos comprovam: “Assim, na medida em que o léxico recorta realidades do mundo, define, também, fatos de cultura.” (OLIVEIRA e IZQUERDO, 2001, p. 9).”

SCHIAVO NOVAES. Maris Stella. Tropeirismo: do “escuricimento” de Mané Rico à Luz de uma Consciência Histórica no Sertão da Bahia.

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