Rancho tropeiro no festejos juninos de Vitória da Conquista

por Maris Stella Schiavo Novaes**


A dica é quente: Este ano estamos oficialmente no São João de Vitória da Conquista, estaremos arranchados durante todo o mês de junho no Arraial Vila da Conquista.  Não, meus amigos, não é anacronismo de historiadora despreparada, nossa cidade, investe em sua cultura e retoma a importância dos festejos juninos em sua história. 

E nossa Catrop está junto nessa retomada!

Quem ouve falar de nossa Ong, tem de ter clara uma idéia do que seja essa Carreiro de Tropa: Um espaço de sonhos e lutas. Um processo em construção. Uma tropa em viagem. 



Tem épocas em que o tempo bom favorece; a estrada boa avança a passada e a gente ganha terreno. Noutras, pega mesmo é cascalho ruim, a burrada empaca, apruma as orelhas e até recusa relho. 


“Quieta moço! Assunta que aí vai chegá no topo do sufrimento! Ah bão, então… Que luita de penalidade essa, é tropa, tropa, e coisa e coisa e coisa, de luita e sufrimento… Dá gastura só de pensá. Ma, Deus tende a pena.” 

Pra encurtar a conversa, tem momentos em que, a vontade é desistir mesmo. Falamos pra ninguém, não temos interlocutores que se interessem pelo tema. O objeto a que nos dedicamos não faz parte nem da mídia. Salvo em algumas matérias pontuais, feitas em programas que tratem de questões relativas a vida no campo. Tirando isso, quem se interessa por tropeirismo? Melhorando a pergunta: Quem se interessa pela importância do tropeirismo na história de Vitória da Conquista? 

Não obstante quase a obviedade das respostas, de que bem pouca gente se interessa, nós aqui da Catrop, estamos no grupo desses poucos. Aliás, dos bem poucos. E nos interessamos muito. 


Chegamos a ser chatos, monotemáticos. E quando encontramos um “novo” tropeiro, as forças voltam, as esperanças se reacendem e reencontramos nosso eixo. Estalamos nosso chicote pra retomar a caminhada.Voltamos a confirmar o compromisso primevo. 

Pelas arrumações do rancho para o São João, encontramos Mané Bonfim, sua rica história de vida, seu linguajar característico, e o principal, seu reconhecimento de nosso trabalho expresso assim:


“Dêrna das ausências do tempo ido, me alembro de que tenho é histora pra contá. Tô na graça de sabê que num morro no desconhecido, num tem mais escuricimento. Essas palavras de aqui me omentô os passos… Muito. E num é modi eu não, dêrna é meu haver.”

Abriu de novo a marcha.


Refeito o trato com “nossos” tropeiros, não desistimos mais não. Vamos nos organizando, buscando parcerias e tentar aproveitar ao máximo a chance de agora. 


Nesse rancho  apresentaremos ao público uma pequena parte de nosso trabalho. Por, mim, Maris Stella, minha “matança” de agora estão renovadas. E faço minhas as palavras de Mané Bonfim:

“Eu tenho força, moço, eu tenho é muitia força! Vôte, arriei meu cavalo, passei a perna, alcancei a meia-irmã da sela, pode soltá boi, pode soltá… Ô meu Deus… Sai de baixo!

Quer prosear mais um tanto, estamos no Arraial Vila da Conquista. Aceita nossa dica, visite nosso rancho que vai ter café quente e boa acolhida.


**Maris Stella Schiavo Novaes é Presidente da Ong Carreiro de Tropa – Catrop, Coordenadora do Núcleo de História, Cultura e Memória da Catrop; Licenciada em História pela Uesb de Vitória da Conquista Bahia; Com pós-graduação em Educação, Cultura e Memória, pelo Museu Pedagógico/Uesb. 


** Manoel Bonfim (ex-tropeiro, residente na região do Barreiro, zona rural de Vitória da Conquista).




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